quinta-feira, 3 de julho de 2008

A Fase do Investidor

A fase do investidor será, na minha opinião, o último degrau da escada da riqueza, sobre a qual nos temos dedicado a escrever nos últimos meses. Passámos de Trabalhadores por conta de outrém a Auto-empregados, daí a Gestores e de Gestores a Proprietários. Agora vamos passar de Proprietários a Investidores.

Como Proprietários passámos a ter um negócio que funciona sem nós. Dessa forma passámos a ter o Cash Flow que esse negócio gera e tempo para aplicar esse cash flow. Como Proprietários passámos a usar esse tempo e cash flow, para repetirmos o processo de criação de riqueza outras vezes. Dessa forma, passámos a ter não um, mas vários negócios a gerar cash flow. Cash flow que se tornou passivo, no sentido em que não involve directamente nenhum tipo de actividade da nossa parte. Mas acima de tudo cash flow que se tornou massivo.

Como Investidores tornamo-nos alocadores de capital. Como Investidores a nossa preocupação passa a ser, o que fazer com as quantidades massivas de cash flow gerado pelos nossos negócios. De que forma podemos aplicar esse dinheiro, de maneira a gerar mais dinheiro ainda. Como Investidores geramos dinheiro com dinheiro.

Uma das nossas preocupações, como Investidores, é aquilo a que me tenho habituado a chamar de regra do número de zeros. Ou seja quantos zeros deve ter um negócio para justificar a nossa atenção, o nosso tempo. Qual a dimensão das oportunidades que de factos nos interessam. Sim, porque quando estamos a gerir quantidades muito grandes de dinheiro, não podemos desperdiçar o nosso tempo com negócios cujo retorno potencial tenha um impacto relevante no nosso património.

Enquanto Investidores vamos procurar constantemente solidificar o nosso património e construir riqueza. As principais formas que vamos encontrar para fazer isso, são essencialmente o mercado financeiro, o mercado imobiliário e empresas de que sejamos proprietários e onde tenhamos intervenção na gestão. As necessidades ao nível da nossa sofisticação técnica aumentam, uma vez que começamos a ter somas consideráveis investidas nestas 3 frentes. Consequentemente é necessário, como várias vezes temos já realçado, ir aprendendo bastante pelo caminho. Quando paramos de aprender, paramos de crescer, quando paramos de crescer começamos a morrer, os nossos negócios e a nossa riqueza, começa a morrer.

A concentração do Investidor deve ser no retorno dos investimentos. A fase do Investidor trata sobretudo de capital e como tal o aspecto fundamental a ter em atenção será o retorno que se consegue ter do mesmo. Deixámos de investir tempo e esforço, e passámos a investir dinheiro e conhecimento. A maneira de os aproveitar e alavancar ditará o nosso nível de sucesso nesta fase.

Outro aspecto importante a considerar, de que já falámos noutras ocasiões e no qual devemos continuar a investir nesta fase é na construção da nossa reputação. Isto é fundamental uma vez que vamos necessitar de um network de qualidade, que nos servirá sobretudo de ferramenta de angariação de oportunidades, bem como de plataforma de informação. Os melhores negócios, as melhores oportunidades são-nos frequentemente apresentadas, por pessoas com quem mantemos boas relações.

Quais são então as aprendizagens principais neste estágio de evolução? Diria que devemos fazer crescer os nossos conhecimentos acima de tudo em àreas como a estruturação corporativa e a fiscalidade. Uma vez que aquilo que vamos estar a fazer, é a utilizar dinheiro para fazer mais dinheiro, as questões de fiscalidade internacional, financiamento e controlo corporativo são absolutamente fundamentais.

O culminar desta fase de investidor é a de fazer dinheiro com dinheiro alheio. Reunir outros investidores no sentido de construir a nossa riqueza. Isto é o que acontece quando dispersamos capital de empresas em bolsa, quando reunimos grupo de investidores para determinados projectos que se baseiam em oportunidade detectadas por nós. Quando construimos a nossa reputação a um determinado nível, temos uma série de pessoas a querer investir conjuntamente connosco. Aqui a riqueza cria-se quase do nada, agimos como visionários, vendemos ideias.

Vamos nesta altura estar a lidar com os maiores players do mercado. Entidades e/ou pessoas com enormes quantidades de capital para investir. Investidores a sério! E vamos estar a procurar também Investidores Institucionais.

A maior parte dos Investidores é também nesta fase que se consciencializam da necessidade de dar de volta à sociedade. Compreendendo que sem a sociedade e o mercado nunca teriam chegado onde estão, resolvem nesta altura começar a devolver e consequentemente desenvolver alguma actividade como mecenas. Alguns dedicam-se à caridade, outros financiam causas ciêntificas e outros ainda causas ligadas à educação.

Para o Milionário esta é a fase da jubilação financeira. Sublinho financeira, porque normalmente os verdaeiros empreendedores que fazem este caminho, são pessoas com um nível de actividade que não lhes permite uma retirada definitiva. Esta é a sua reforma! É tempo da apreciarem. Se fizeram todo este caminho bem a merecem!

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