quinta-feira, 24 de novembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
A Grande Rotina
A consequência mais natural do Outono é a grande rotina.
Nesta fase os processos e a burocracia tornaram-se mais importantes que a acção
e os resultados. A empresa perde a sua capacidade de perceber o que se está a
passar e diagnosticar a situação em que se encontra. E é curioso referir que
encontramos muitas empresas em 2ª ou 3ª geração nesta fase.
Nesta fase a empresa perde todo o desejo pela inovação,
disponibilidade para correr riscos e impulso criativo. Toda a atenção é posta
no passado e no que antes correu bem. O negócio limita-se a tentar replicar
aquelas que foram outrora fórmulas bem-sucedidas, independentemente de, nesta
altura, poderem não estar já a ser as mais adequadas. Os processos e sistemas,
a tal grande rotina, tornam-se o mais importante e já não o mercado ou os
clientes individualmente.
Os colaboradores mais importantes começaram a sair durante o
Outono e essa tendência mantém-se em relação a todos os que têm ambição e
precisam de um ambiente de trabalho estimulante. Simultaneamente a empresa vai
perdendo todo o sentido de “ownership” por parte dos colaboradores. E se uma
grande frustração se foi instalando desde o Outono esta, por incrível que
pareça, vai-se diluindo nesta altura... mas é substituída por algo bem mais
perigoso: complacência.
É interessante e também importante perceber que, muitas
vezes, estamos instalados nesta grande rotina que precede a morte da
organização, mas a mesma continua a apresentar aspectos muito positivos e que
estes contribuem até, com frequência para o agravamento da situação.
Muitas vezes estas organizações têm monopólios ou destacadas
lideranças em quota de mercado. E outras vezes têm balanços extremamente ricos
em dinheiro e/ou outros activos.
Esta situação leva a que estas empresas sejam muitas vezes
alvos interessantes para aquisições, por outras empresas que tragam uma visão
mais fresca do mundo dos negócios e consequentemente uma nova definição de
proposta de valor para o mercado, bem como uma cultura mais interessante a
nível interno.
Para recuperar de uma situação destas as empresas
normalmente precisam de uma reestruturação bastante significativa em que se
quebrem todas as regras e praticamente se reinvente o negócio.
O agravamento desta cultura burocrática faz com que a
empresa, a prazo, não tenha hipótese de sobreviver, pelo menos na sua forma
actual e a morte acaba por chegar mais tarde ou mais cedo: ou terminam os
recursos ou se torna tecnologicamente irrelevante, ou simplesmente deixa de
encontrar um espaço no mercado que lhe permita continuar a existir.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
O Outono...
Quando sobresistematizamos uma empresa e deixamos que os
sistemas se tornem mais importantes do que as pessoas e do que a relação com o
mercado, esta terá tendência a degenerar para o que aprendemos a classificar
como o outono.
No outono a empresa parece estar numa passadeira. Começa a fazer-se muito
esforço para pouco progresso. A empresa foca-se mais na informação que na acção
e mais na forma do que no conteúdo, começando a dar demasiada importância aos
processos.
O crescimento começa a abrandar de uma forma significativa
no que se refere às vendas e esse abrandamento das vendas segue-se normalmente
também uma maior pressão sobre as margens com consequências inevitáveis numa
menor capacidade de gerar cash flow.
Nesta fase começa a haver alguma tendência para a negação,
pois os executivos não querem aceitar que estão a iniciar uma curva
descendente. Dessa forma as más notícias começam a ser escondidas, o que gera
também algumas conversas paralelas nos corredores com um impacto negativo no
espírito de equipa, que se reflecte na qualidade de execução da organização.
Os melhores Colaboradores começam a sentir que precisam de
novos estímulos e desafios e começam a sair.
O Outono é uma fase ingrata para qualquer organização. Se o
identificarmos rapidamente e o soubermos gerir temos todas as condições para
levar a organização de volta para o apogeu. No entanto se não formos cuidadosos
rapidamente a empresa pode escorregar para as fases seguintes de grande rotina
e morte. O perigo principal é exactamente não ter a capacidade de parar para
pensar e perceber em que fase se encontra a empresa. Às tantas corremos o risco
de, como o sapo no tacho de água ao lume,
não nos apercebermos da situação em que estamos e deixarmos que as
coisas se tornem irreversíveis.
O que há então a fazer?
Parar para pensar será decisivo. Ter a coragem de ver o que
se está a passar e agir. Voltar a centrar a organização nas pessoas e aliviar
os processos.
Introduzir sistemas de monitorização de performance,
coaching e formação. Premiar os “Fazedores” e quem tem resultados. Criar um
sistema de progressão na carreira e dar mais responsabilidade a quem mostra
capacidade para a assumir.
Enfocar a organização na sua cultura e estimular os
sentimentos de responsabilidade e propriedade na equipa.
Se o fizermos de forma dinâmica poderemos recentrar a
organização e conduzi-la de volta ao apogeu. Caso contrario a sua tendência
natural será de deslizar até uma grande rotina.
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
O apogeu empresarial
Quando somos eficazes a resolver os desafios que nos
aparecem na adolescência chegamos ao apogeu. E esta é a fase pela qual todas as
empresas esperam. A fase em que definimos e atingimos os nossos objectivos de
forma consistente. Aqui nós percebemos qual o processo de pensamento (e não as
práticas) que nos tornou bem-sucedidos e tentamos mantê-lo no longo prazo.
A empresa consegue manter um crescimento de vendas poderoso
mas simultaneamente mostra óptima capacidade de transformar essas vendas em
lucro: crescimento e rentabilidade parecem de mãos dadas.
A organização, na fase do apogeu. parece perfeitamente
alinhada. As estruturas, os
sistemas, os processos e as pessoas parecem estar em perfeita harmonia e, como
em mais nenhuma fase, a empresa mostra uma enorme capacidade de atingir aquilo
a que se propõe, quase como se pudesse desenhar o seu destino.
O negócio, bem como os vários departamentos e colaboradores
mostram uma grande facilidade em definir e atingir os seus objectivos de uma
forma consistente.
As decisões são tomadas com facilidade e determinação e
existe uma cultura de implementação das mesmas.
Cria-se uma cultura de disciplina e responsabilidade onde as
pessoas dão o melhor de si próprias e pedem contas umas às outras, exigindo
elevados padrões de desempenho. E assumem a propriedade e responsabilidade
total não só pelas suas acções como pelos seus resultados.
Não existe nenhum tipo de razão pela qual uma empresa deva
sair desta fase. E por isso importa estar especialmente atento aos factores que
podem levar a que isso aconteça.
E o aspecto critico a considerar é a sobresistematização: é
na altura em que colocamos os processos e sistemas sob esteróides que
empurramos a empresa para o Outono, ao lhe retirarmos a capacidade criativa e
de inovação.
O maior risco que a empresa corre, nesta altura, é o deixar
deslizar a atenção e passar a considerar os sistemas mais importantes do que o
resto. Caso contrario poderá manter-se no seu apogeu por tempo indeterminado.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
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